Um ano de cidadã metropolitana

Oi gente tudo bem?

Em maio faz um ano que nos mudamos pra Cachoeirinha, hoje vim escrever sobre como me sinto. Apesar de morar em Cachoeirinha, me considero também uma cidadã de Porto Alegre.



Bom, algumas coisas aconteceram desde aquele domingo que saímos de Chapecó nos despedindo aos prantos da nossa família linda e pegando a estrada por alguns bons quilômetros rumo á Cachoeirinha/RS, o choro durou um bom trecho e infelizmente o sentimento de saudade e de tristeza muitas vezes re-apareceu na nossa jornada em terras gaúchas.

Confesso que me decepcionei bastante no começo, tudo pra mim era ruim, a cidade era feia, o povo frio demais, as pessoas distantes e poucos hospitaleiras, e os três primeiros meses foram deprimentes, tanto que este blog só tinha textos falando mal do Rio Grande do Sul.

Mas nada melhor que o tempo, o tempo cura tudo e coloca cada coisa no seu lugar.

Ainda estamos nos acostumando, pro Gian foi mais simples, acho que nos esforçamos o máximo pra que ele não sentisse tanta diferença e se sentisse acima de tudo em um lar e claro nesse processo todo acabei esquecendo dos meus próprios sentimentos.

Mudança não é fácil, pra ninguém, muito menos pra uma pessoa como eu, leia-se extremamente apegada com a família, amigos e referências de infância e sua identidade regional, resumindo: colona.

Eu não achava que um dia iria conseguir dirigir em Porto Alegre e consigo ir em vários lugares da cidade (obrigada Google Maps!), também não achava que iria fazer amigos (e tenho pessoas incríveis que considero muito!), muito menos arrumar um trabalho logo e numa importante agência de publicidade em Porto Alegre, onde tive um reconhecimento profissional que nunca tive em outro lugar (sim eu me senti muito realizada profissionalmente).

Tomar chimarrão e ouvir música gaúcha no final da tarde era um choro, pois lembrava a minha mãe, lembrava a minha casa, aliás música gaúcha pra mim é referência total da minha terra, da minha casinha em Chapecó, não daqui. Ouço música gaúcha pra lembrar de Chapecó e pra esquecer um pouquinho dessa loucura de Porto Alegre.

Acho tudo muito insano por aqui. O trânsito faz você querer sumir, sair do carro e ir a pé, sei lá... Acho doido essa gente que trabalha tanto, que fica até tarde no serviço e que chega ainda mais tarde em casa (vai levar um tempo pra assimilar isso), que perde o contato com a família, que perde o sorriso, que não diz bom dia.

Óbvio nem todo mundo é assim, por sorte encontrei pessoas que fizeram me sentir em casa, mesmo sentindo que  não tinha jeito daqui ser o meu lar.

Aos poucos eu vou assimilando essa informação nova, bem, na verdade eu acho que estou construindo meu lar aqui, mas a minha terrinha não esqueço não.


Meus desassossegos sentam na varanda,
Pra matear saudades nesta solidão,
Cada por de sol, dói feito uma brasa,
Queimando lembranças, no meu coração.



Ainda é confuso olhar pra uma cidade grande como Porto e ao mesmo tempo  que conserva jeito de interior em muitos detalhes e costumes da população demonstra o contraste do trânsito, violência e desenvolvimento.

Sim, tem coisas que eu amo em Porto Alegre, adoro a multiplicidade do povo, dos alternativos, roqueiros e hipsters da cidade baixa, as senhorinhas que passeiam com seus netos na Redenção, da tradição presente no Bonfim ao requinte do Moinhos, é uma cidade de contrastes.

A Zona Norte é uma cidade e a Zona Sul é, como eu mesmo digo, "outra vida", uma tão longe da outra, um povo tão diferente do outro, paisagens que são dois extremos. E eu acho isso lindo.

Uma cidade dividida em duas cores, dois times com dois grandes palcos do futebol, uma cidade de gremistas, colorados de bairristas e de forasteiros (como eu).

Ainda gosto de ver aquela falta de arquitetura característica contrastando com as arvores e as grandes ruas de corredores verdes, é bonito ver o asfalto, o viaduto contrastando com a paisagem do parque onde o mendigo descansa na sombra da árvore enquanto amigos dividem um mate, outros tocam violão, e outros passeiam com seus cachorrinhos.

Não posso negar que acho minha Santa Catarina mais linda, mais limpa, com mais qualidade de vida, mas não posso negar que é mais fácil encontrar gente diferente e culturalmente interessante que lá, é uma capital cultural, histórica, divertida.

Comida aqui é muito boa, melhor ainda pra quem adora hotdog, churrasquinho e.. XIS. Amo o Cavanhas.

É uma cidade cheia de shoppings, aliás depois de praças, parques, futebol o shoppings são os passeios favoritos do povo.

O pôr do sol é divino, lindo e maravilhoso. Sim, quase tão bonito quanto em Chapecó (risos).
Passear de barco no Guaíba e lindo, ver a cidade gigante lá de longe do meio do lago (ou rio) é demais, faz entender porque quem mora em Porto ama.

Tem tanta opção cultural, tanto evento que a gente se perde com tanta opção (e tem gente que reclama disso por aqui). Show de graça, palestras, exposição fotográfica.. Enfim, muita coisa mesmo.

É engraçado ver o Gian crescendo aqui e mudando o seu jeito, ele vem crescendo e se tornando um menino tipicamente porto alegrensse, é legal ver como ele já mudou o sotaque, a forma de falar e até a evolução dele na escola.

Eu ainda me sinto um pouco estranha ao falar com as pessoas, mas acho que nunca vou perder meu sotaque, o jeito é rir né.

Aliás, não gosto quando me pedem: "Você não é daqui né?"

Tenho me esforçado tanto pra fazer daqui o meu lar que me perguntarem isso, faz eu sentir como se não devesse estar aqui.

Mas se quer saber, eu gosto daqui, hoje eu me sinto bem melhor, isso não faz eu sentir menos saudade da minha terrinha, mas me faz acreditar que aqui é o lar que eu estou construindo pra chamar de meu lugar também.







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